Na segunda-feira, pós-Copa América Feminina e UEFA Feminina, o feed do meu linkedIN foi tomado por matérias, textões e compartilhamentos sobre o futebol feminino. Quem compartilhou, na grande maioria, foram mulheres. Além de entusiastas e apaixonadas, muitas, trabalham diretamente com o futebol feminino e ter grandes notícias relacionadas ao assunto é sempre um marco.

Foto: Thais Magalhães/CBF

O Futebol Feminino nunca teve tanta visibilidade, tampouco incentivo financeiro e até mesmo análises táticas e conteúdos exclusivos sobre ele como agora. E por mais incrível que seja esse andar a passos largos, ainda é muito pouco. Principalmente se levarmos em consideração toda a estrutura que envolve a modalidade par: o futebol masculino.

Mas, como se constrói o futebol feminino?

Posso desenhar caminhos interessantíssimos para aumentar investimento e visibilidade. Posso também, seguir caminhos parecidos com o futebol feminino inglês e até mesmo a UEFA, mas em todos eles eu vou esbarrar em algo que considero essencial: categorias de base. A construção do futebol feminino como a potência que é, começa ai.

Não é apenas falar sobre a representatividade das mulheres no esporte, ou plantar o sonho de jogar futebol em meninas, é ter uma estrutura social e esportiva que permita transformar esse sonho em realidade. Como base, pelo menos aqui no Brasil, seguimos no passinho, na obrigatoriedade de ter um time feminino, numa base com poucas meninas jogando com… meninas.

Um esporte não se constrói apenas com investimento do setor privado, vindo principalmente de marcas. Tampouco se pode jogar tamanha responsabilidade para os clubes. E se engana quem pensa que a pressão precisa começar na CBF. É com um conjunto de iniciativas de várias frentes, inclusive governamentais, que se constrói uma modalidade, e não adianta trazer para a mesa a argumentação do retorno. Aquela mesmo que você está pensando: será mesmo que futebol feminino dá retorno?

Reduzir a construção de uma modalidade ao retorno que ela pode ou não dar é validar apenas o retorno financeiro e não o impacto social que existe nessa mesma construção.

No Brasil, conseguimos mensurar melhoras significativas na estrutura do futebol feminino ano após ano. Melhorias essas que começaram a ser visíveis depois que o futebol feminino passou a ser gerido – em grande parte – por… mulheres!

O questionamento que me faço incansavelmente é esse aqui: será mesmo que tais melhorias não estão levando o futebol feminino para o mesmo caminho do masculino por influencia de homens que ainda endossam as decisões? Será que a gente precisa seguir nessa linha, de construir uma modalidade em cima de outra?

Vale lembrar que um dos grandes diferenciais do futebol feminino é a condução da narrativa, inclusive nas pautas sociais. Será mesmo que a partir desse ponto aqui, o futebol feminino não pode se tornar único?

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