Da criação do movimento paralímpico a mascote japonesa Someity, conto aqui no Esportes Dela algumas das curiosidade paralímpicas:

1 – Ludwig Guttmann e a criação do movimento paralímpico

Ludwig Guttmann ao lado de Yutaka Nakamura, conhecido como pai do Movimento Paralímpico no Japão. Foto: Japan Sun Industries

A Segunda Grande Guerra Mundial foi um gatilho para o início do que hoje
conhecemos como Jogos Paralímpicos. Em 1939 o médico judeu alemão Ludwig
Guttmann se mudou para a Inglaterra, em fuga do exército nazista, a fim de atuar n
Universidade de Oxford e em 1943 já carregava o título de diretor da Unidade
Nacional de Lesados Medulares no Ministry of Pensions Hospital em Stoke
Mandeville, Aylesbury.
Para reabilitar os combates pacientes do hospital de volta à sociedade, Guttmann
reconheceu os valores fisiológicos e psicológicos do esporte, e os adotou como
parte do programa. No dia 29 de julho de 1948, ocorreu o primeiro Jogos de Stoke
Mandeville, em que 16 homens e mulheres disputaram no tiro com arco.

2 – Primeira Paralimpíadas

A edição de 1960 ficou conhecida como os Primeiros Jogos Paralímpicos. Foto: NPC Italy

O crescimento foi notável: os iniciais 16 atletas do Reino Unido na década de 1940
evoluíram em 1960, na cidade italiana de Roma, para 400 atletas de 23 países
diferentes. A competição ocorreu algumas semanas depois dos Jogos Olímpicos e
hoje é conhecida como o primeiro Jogos Paralímpicos de verão. Já a edição
paralímpica de inverno teve estreia em 1976, na Suécia. Nos dias atuais, tanto os
Jogos de verão quanto os de inverno sempre tomam lugar na mesma cidade das
Olímpiadas de quatro em quatro anos.

3 – Atletas com deficiência nas Olimpíadas

Pal Szekeres, único atleta a ganhar medalha em ambos Jogos Olímpicos e Paralímpicos até agora. Foto: NPC Hungary

Os Jogos Olímpicos Modernos datam início em 1896, em Atenas, na Grécia. E eram
nesses Jogos que pessoas com deficiência competiam antes da criação do
movimento paralímpico. Um dos pioneiros foi o alemão George Eyser, que competi
pelos americanos na ginástica e conquistou seis medalhas no mesmo dia – três
ouros, duas pratas e um bronze. Sem uma das pernas, ele competia usando uma
prótese feita de madeira.
Outros atletas também realizaram o feito, como o húngaro Oliver Halassy, que
somou dois ouros e uma prata pelo polo aquático em 1928, 1932 e 1936, e como a
dinamarquesa Lis Hartel, que levou a prata em 1952 na equitação. Até hoje atletas
com deficiência podem competir também nas Olímpiadas e houve nomes que
ousaram participar das duas competições no mesmo ano, como a italiana Paola
Fantato e o húngaro Pál Szekeres.

4 – Primeira participação do Brasil

Jogos Paralímpicos de 1972, em Heidelberg. Foto: Paralympic.org

Apesar dos Jogos Paralímpicos serem realizados oficialmente desde 1960, foi só
em 1972, na cidade alemã Heidelberg, que o Brasil primeiro apareceu na
competição. A bandeira verde e amarela foi representada por 20 atletas homens
que marcaram uma longa história do país nos jogos ao estrearem no atletismo,
basquete em cadeira de rodas, natação e tiro com arco. Antes disso, os brasileiros
também estiveram no II Jogos Parapan-americanos, realizados em Buenos Aires.

5 – Símbolo Paralímpico – Agitos

Cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020. Foto: Ale Cabral/CPB. @alecabral_ale

Do latim, o símbolo paralímpico Agitos se traduz para “eu me movo” e reflete
também o lema paralímpico “espírito em movimento”. As cores que pintam o
símbolo são vermelho, azul e verde, as mais predominantes nas bandeir
nacionais ao redor do planeta. A figura grita os valores paralímpicos desde 2004,
quando apareceu pela primeira vez durante a Cerimônia de Encerramentos dos
Jogos de Atenas.

6 – Silêncio no Futebol de 5

Jogos Paralímpicos Rio 2016 , semifinal de Futebol de 5, Brasil 2 x 1 China, Ricardinho – ©Marcio Rodrigues/MPIX/CPB

É de comum acordo que o futebol é o esporte mais amado no Brasil e se espera
que o som nos estádios seja completamente preenchido com o amor e ódio das
torcidas. Mas no futebol de 5, modalidade paralímpica para atletas com cegos
deficientes visuais, o esquema é diferente, com locais silenciosos e sem eco. Os fãs
só podem se manifestar na hora do gol, já que os jogadores precisam ouvir os
guizos internos da bola para localizá-la. Os times ainda contam com um guia atrás
do gol adversário para orientar os atletas da própria equipe.

7 – O tênis em cadeira de rodas e a bola

Jogos Paralímpicos Rio 2016, tênis de Cadeira de Rodas, Estados Unidos x Brasil, Rafael Medeiros – ©Cleber Mendes/MPIX/CPB

São muitas as semelhanças com a versão convencional da modalidade, mas há
uma diferença que pode surpreender quem não costuma acompanhar o esporte: a
regra dos dois quiques. No tênis em cadeira de rodas, o atleta precisa passar a bol
para o lado adversário antes do terceiro toque no chão. Já o equipamento é quase
igual, com as mesmas bolas e raquetes, o único acréscimo são as cadeiras
esportivas adaptadas para garantir a mobilidade e o equilíbrio dos tenistas.

8 – Sentados no vôlei

Treino do Vôlei Sentado em Hamamatsu, cidade-sede da delegação Brasileira para aclimatação antes dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Foto: Ale Cabral/CPB.

Com 1,15m no masculino e 1,05m no feminino, os atletas ultrapassam a rede cojogadas enquanto se mantêm sentados. No vôlei sentado, disputam jogadores com
deficiência física ou relacionada à locomoção. Há bloqueios de saque sim e estes
são feitos sem sair do solo, com exceção para se deslocar. A quadra também é
menor comparada a versão olímpica da modalidade, com 10m de comprimento e
6m de largura. Os sets têm 25 pontos corridos e Tie-Break de 15, o vencedor é o
melhor de cinco sets.

9 – Os novos esportes paralímpicos

Treino da Seleção de Badminton no CT Paralímpico Brasileiro. Foto: Ale Cabral/CPB.

Tóquio traz um presente especial para os fãs de esporte: o parabadminton e o
parataekwondo agora fazem parte do programa paralímpico. No parabadminton um
único brasileiro carregará nos ombros o sonho de medalha na modalidade: Vitor
Tavares, hoje quarto no ranking mundial do esporte. O curitibano disputa na classe
SH6, de pessoas em pé com baixa estatura.
Já no parataekwondo, o Brasil conta com Débora Menezes, Nathan Torquato e
Silvana Fernandes, todos da classe K44, que incluí amputação unilateral do
cotovelo até a articulação da mão, dismelia unilateral, monoplegia, hemiplegia leve e
diferença de tamanho nos membros inferiores. Menezes é a atual campeã mundial e
vice dos Jogos Parapan-americanos de 2019 e ambos Torquato e Fernandes foram
campeões nos Jogos Parapan-americanos de 2019, em Lima, Peru.

10 – Someity, a mascote japonesa

Someity, mascote paralímpica de Tóquio. Foto: Paralympic.org

Someity não é qualquer personagem: ela tem superpoderes que personificam a
tenacidade e a determinação dos atletas paralímpicos. Além de sensores telepáticos
nas laterais da cabeça, ela pode voar e mover objetos sem tocá-los. O nome d
representante branca e rosa vêm da palavra “Someiyoshino” — uma flor de cerejeira
popular entre os nipônicos — e da frase “tão poderosa”. Ela simboliza aqueles que
ultrapassam obstáculos e ressignificam limites.

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