Desde criança sou apaixonada por esportes ao ar livre e que me conectem mais com a natureza. Era comum me ver no meio do mato fazendo trilhas, pendurada em árvores, mas o meu primeiro contato com a escalada foi mais velha, com 20 e poucos anos, quando fui fazer uma aula demo de escalada em rocha organizada por um grupo de montanhistas profissionais de São Paulo para divulgar o esporte. Não tinha amigos que escalavam e nunca foi um esporte popular no meu círculo de amizades.

Lembro desse dia, com riqueza de detalhes, até hoje. Era uma escala de nível fácil, em Pedra Bela, interior de São Paulo. Apesar do nível mais básico, a sensação de olhar pra baixo e me dar conta de tudo o que tinha subido sozinha foi indescritível.

Depois dessa aula, fiquei vários anos sem contato com o esporte. Não sabia de lugares próximos onde ir, como começar, de quais equipamentos precisava, e muito menos alguém próximo para me inspirar ou que me fizesse companhia para explorar um esporte novo. Acabei indo algumas vezes em algumas paredes de escala, mas ainda assim parecia algo inviável para mim.

Quando me mudei para Itália, em 2019, veio também o desejo de transformar a vida como um todo. Ainda assim não tive força de vontade suficiente pra me dedicar e ir atrás do esporte. A última mudança, nesse maluco 2020 para agora para a Holanda, um país totalmente plano e sem opções naturais de escalada, descobri o esporte extremamente popular e acessível na versão indoor.

Foi o que eu precisei para entrar de cabeça.

imagem: arquivo pessoal/Juliana Cambiucci

Com a Pandemia e sem muitas opções para entretenimento, as únicas coisas que permaneceram abertas foram as esportivas, como os ginásios de escalada. O esporte por aqui é exigente, tanto que é obrigatório ter um curso para você poder escalar as paredes com corda. O curso foi uma oportunidade para aprender a escalada mais afundo e também fazer novas amizades com interesses em comum.

A escalada salvou a minha sanidade mental! Apesar de ainda ser iniciante, estou dando meus primeiros passos (de formiga) no esporte. Cada pequeno avanço em um novo nível, é celebrado com grande comemoração.

Muitas vezes eu achei que determinado esporte não era pra mim por não conhecer pessoas no meio ou por eu não achava acessível para o meu bolso, também tinha duvidas da minha capacidade física, e pensava que não tinha corpo para tal. Foi a escalada que me ensinou a competir comigo mesma e não me comparar ao coleguinha do lado que está em níveis mais difíceis.

Aprendi a me arriscar mais e a confiar na pessoa que faz a minha segurança, a ficar atenta para manter o meu parceiro em segurança quando é ele que está escalando. Aprendi a ter equilíbrio. São algumas horas que eu consigo ficar totalmente no presente, prestando atenção no momento, no meu corpo, nos meus movimentos, analisando a melhor via e o limite do meu corpo.

A próxima etapa é iniciar a escala em rocha, a mais esperada, e que novas amizades no esporte sejam muito bem-vindas.

imagem: arquivo pessoal/Juliana Cambiucci

Juliana Cambiucci é veterinária de formação, mas encontrou na tradução a oportunidade de poder trabalhar de qualquer lugar do mundo. Esportista nata, ama a vida e esportes outdoor.

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